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As cores que a manufatura Saint Louis produzia nas pinhas de cristal

Existe uma pergunta que me fazem com frequência: o que torna uma boule d’escalier verdadeiramente especial?

A resposta, muitas vezes, está na cor.

Não é qualquer cor. É uma cor que vive dentro do cristal, protegida, luminosa. Uma cor que muda a cada movimento, a cada variação da luz. Quando a cor é bonita, tudo o mais passa para segundo plano.

A manufatura Saint Louis foi uma das grandes produtoras de boules d’escalier na França do século XIX. E as cores que ela dominava eram extraordinárias. Conhecemos essas cores pela pesquisa e pelos catálogos antigos,  não pelas peças em si, que raramente trazem assinatura ou marca da manufatura.

Como as cores eram feitas

Para obter um cristal colorido, os artesãos adicionavam óxidos metálicos à composição do cristal fundido. Cada cristaleria guardava suas próprias fórmulas, transmitidas de geração em geração. A cor era preparada sob a forma de pequenas varetas que depois eram trabalhadas, cortadas e englobadas no cristal transparente da boule.

O resultado é uma cor que não está na superfície. Está dentro. Para sempre.

A paleta da Saint Louis

A paleta que a Saint Louis dominava era extraordinária:

*  Rubi — nasce do cloreto de ouro. A mais rara e preciosa de todas as cores.

* Azul Cobalto — obtido pelo óxido de cobalto. Profundo, intenso, inconfundível.

* Verde — do uranato de amônio ou do ácido crômico. Do verde-esmeralda ao verde-floresta.

* Púrpura — do óxido de níquel. Elegante e raro.

* Laranja e o Amarelo — do antimoniato de chumbo e do óxido de prata. Vibrantes e luminosos.

* Branco — do óxido de estanho. A base sobre a qual outros motivos ganham vida.

* Violeta e o Azul claro — do bióxido de manganês e do óxido cuproso. Uma paleta completa e extraordinária.

Como sabemos que uma pinha é Saint Louis?

A verdade é que as pinhas raramente trazem marcas ou assinaturas da manufatura. O que sabemos sobre a Saint Louis vem da pesquisa, dos catálogos antigos e do estudo das técnicas de cada cristaleria. Conhecemos as cores que ela produzia, as técnicas que dominava. Mas identificar com certeza que uma peça específica saiu de Saint Louis exige muito mais do que um olhar...
exige história.






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Fontes de pesquisa: catálogo original de pinhas francesas do século XIX e “Le Verre”, de Clément Duval, Presses Universitaires de France.

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