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Mostrando postagens de maio, 2026

Boules d’Escalier: os bastidores do livro que fiz com a Assouline

Muita gente me pergunta como surgiu a ideia do livro. A resposta tem dois momentos que nunca vou esquecer. O primeiro foi no Hotel du Cap, em Antibes. Folheando um livro da Assouline, me deparei com uma foto de um espaguete ao molho de tomate. Simples assim. Mas a foto era tão linda, tão bem feita, que pensei imediatamente: imagina a minha pinha aqui. Naquele momento, a ideia nasceu. O segundo foi quando Frank recebeu de presente o Italian Chic, da Assouline, de Guilherme, nosso vendedor da Van Cleef. Segurei aquela capa tão marcante e bonita e tive a certeza: era exatamente isso que eu queria para as pinhas. Como escolhemos as peças Temos mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. Selecionar o que entraria no livro foi um processo feito em parceria com o fotógrafo Harald Gottschalk. E foi nesse processo que aconteceu algo que eu não esperava. O momento mais especial Todo o processo de fazer o livro foi muito especial. Porque os fotógrafos foram descobrindo...

Boules d’Escalier: quatro coisas que quis dizer com este livro

Quando as pessoas me perguntam do que trata o livro, fico um pouco em dúvida Poderia dizer que é um livro de fotografia. Ou de história da arte. Ou de design decorativo. Mas a verdade é que é tudo isso ao mesmo tempo, além de outras camadas que só ficaram claras para mim depois que o livro ficou pronto. Olhar novamente para o que foi esquecido As boules d’escalier habitaram os melhores interiores europeus por mais de um século, e a história do design raramente dedicou atenção a essas peças. Quando comecei a coleção, mal conseguia encontrar referências sobre elas. Havia algo de injusto nisso. O livro é, em parte, um convite a olhar novamente para o que esteve ali o tempo todo, quase esquecido. Contar a transição do Art Nouveau para o Art Déco por objetos cotidianos As peças da nossa coleção vêm do final do século XIX e do início do XX, exatamente o momento em que a Europa deixava as formas orgânicas e florais do Nouveau para abraçar a geometria do Déco. Essa transformação estética se to...

Instituto Flávia Abubakir: o propósito por trás do livro Boules d’Escalier

Quando as pessoas descobrem que 100% da receita do livro vai para o Instituto, a pergunta que mais ouço é: o que é o Instituto Flávia Abubakir? Frank e eu criamos o Instituto Sociocultural Flávia Abubakir em 2021. É uma entidade privada sem fins lucrativos, com sede em Salvador, dedicada a duas áreas de atuação: o suporte a projetos sociais, educacionais, de saúde e culturais, e a preservação de um acervo histórico e artístico único. Um acervo de valor histórico e global A Coleção Flávia e Frank Abubakir reúne itens produzidos desde o período colonial até o século XXI. Uma coleção de natureza global desde a origem, com registros documentais e iconográficos singulares de várias partes do mundo sobre o Brasil e a Bahia em particular. Dois núcleos se destacam. O núcleo Iconográfico, com especial atenção à Iconografia Baiana, reúne itens de grande valor histórico e artístico sobre o repertório iconográfico do Brasil e da Bahia. Já o núcleo Conexões Ultramarinas engloba obras impressas e ic...

Boules d’Escalier: o que você vai encontrar nas 280 páginas do livro

O que você vai encontrar nas 280 páginas do livro Quando comecei a pensar na estrutura do livro, sabia que não queria um catálogo frio. Queria que quem folheasse sentisse o que Frank e eu sentimos cada vez que olhamos para a coleção. O que são as boules d’escalier? O livro abre com uma apresentação desses elementos decorativos, esferas de cristal e vidro instaladas no topo dos corrimões de escadas como o toque final que simbolizava a casa concluída. Uma tradição que quase desapareceu da memória coletiva, e que me fascina desde que vi a primeira peça. Mais de 800 peças, mais de 20 anos de busca Frank e eu começamos  a nossa coleção em 2000 e nunca mais paramos. São hoje mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. O livro apresenta centenas delas fotografadas por Harald Gottschalk com uma precisão e uma sensibilidade que ainda me surpreendem. Do Art Nouveau ao Art Déco As peças que colecionamos pertencem ao final do século XIX e início do XX, a transição e...

Boules d’Escalier: o livro que editei com a Assouline

  O livro que nasceu de uma paixão de mais de 20 anos Há uma pergunta que ouço com frequência quando as pessoas visitam nossa casa e se deparam com a coleção pela primeira vez: "Mas o que é isso?" E eu adoro esse momento porque é exatamente onde tudo começa. As boules d'escalier (ou pinhas) são as esferas de cristal e vidro que ficam no topo dos corrimões das escadarias europeias. O toque final de uma casa concluída. Objetos que atravessaram séculos praticamente invisíveis, sem que ninguém parasse para perguntar de onde vieram, quem os fez ou o que carregam. Frank e eu começamos a colecionar em 2000 e nunca mais paramos. Como o livro nasceu Quando a Assouline topou publicar o projeto, eu sabia que precisávamos de um fotógrafo à altura das peças. Harald Gottschalk, francês, com mais de 60 exposições individuais e coletivas, entendeu exatamente o que eu queria: não documentar, mas revelar. Cada esfera fotografada como se fosse um planeta em miniatura. Luz, cor e transparênc...

Pinha antiga: como saber se é original ou reprodução?

Você sabe como identificar se uma pinha antiga é original ou reprodução? À primeira vista, podem parecer iguais. Mas o tempo deixa sinais. Nas pinhas antigas, o acabamento raramente é perfeito. Há pequenas variações. Irregularidades quase imperceptíveis. O desgaste também fala. Base, encaixe, bordas. O uso deixa marcas que não se repetem de forma artificial. No vidro ou no cristal, a profundidade da luz muda. Peças antigas respondem de forma mais complexa. Nada é plano. Já nas reproduções, tudo tende a ser uniforme. Simétrico demais. Limpo demais. A precisão excessiva pode enganar. Mas também revela. Nas pinhas de escada, conhecidas como boules d’escalier, esses detalhes fazem toda a diferença. Originalidade não está em um único elemento. Está no conjunto. É o olhar que aprende a reconhecer. Você saberia distinguir uma peça original? Pinha de cristal Antiga  A luz tem profundidade. Os cortes apresentam variações. Nada é completamente uniforme. Pinha nova (reprodução) Aqui, o padrão...

Pinha de cristal: catálogo de 1920 da C. Deselle Fils e como identificar”

O catálogo de 1920 da C. Deselle Fils é uma das principais referências para entender e identificar boules d’escalier antigas em vidro e cristal. Nele, as boules d’escalier aparecem organizadas por forma, tamanho e desenho. Quase como um mapa. Modelos que hoje parecem únicos já existiam, descritos com precisão. Esse registro revela proporções, tipos de lapidação, variações de topo e base. Mais do que documentação, é uma forma de leitura das peças antigas. Ao comparar uma peça com esse catálogo antigo, o tempo deixa de ser suposição e passa a ter referência. É ali que a história se torna visível. Este catálogo da C. Deselle Fils, raro e difícil de acessar, é agora compartilhado como um presente aos leitores do livro Boules d’Escalier. Um gesto de continuidade,  entre quem preserva e quem passa a ver.

Pinha de cristal favo de mel: padrão, textura e luz no vidro antigo

As pinhas favo de mel em cristal são marcadas por um padrão geométrico que lembra a estrutura de um favo de mel. Pequenas células se repetem.Uma ao lado da outra, com precisão quase hipnótica. No cristal texturizado, o padrão favo de mel fragmenta a luz. Cada célula reflete de um jeito, criando movimento mesmo na imobilidade. O desenho favo de mel não é apenas decorativo. É estrutura. Entre repetição e variação, a peça ganha força. Hoje, as pinhas favo de mel em cristal são cada vez mais raras de se encontrar, o que acentua ainda mais sua presença. Parte da coleção apresentada no livro Boules d’Escalier, onde o cristal revela sua capacidade de forma, textura e luz. Foto: Harald Gottschalk

Pinha de cristal ou vidro: você percebe a diferença?

Você sabe diferenciar uma pinha de vidro de uma pinha de cristal? À primeira vista, podem parecer iguais. Mas a diferença está na luz. A pinha de vidro reflete. A de cristal cria profundidade na luz. O cristal é vidro acrescido de minerais, tradicionalmente óxido de chumbo, o que permite a lapidação. Por isso, no cristal, a luz entra e volta diferente. Nas pinhas de cristal lapidado, cada corte muda o resultado. A luz se espalha. Ganha intensidade. No vidro, o efeito é mais simples. No cristal, há mais presença. Conhecidas como boules d’escalier, essas pinhas de cristal eram usadas como elementos decorativos em escadas. Parte da coleção apresentada no livro Boules d’Escalier, publicado pela Assouline. Edição limitada. 100% da receita destinada aos projetos do Instituto Flávia Abubakir. Aquisição no link da bio. Você percebe a diferença?

Pinha de escada: o livro Boules d’Escalier e a história das pinhas antigas

Boules d’Escalier The Flávia & Frank Abubakir Collection Um livro sobre boules d’escalier,  as pinhas de escada em vidro e cristal,  elementos clássicos do design decorativo europeu dos séculos XIX e XX. Por muito tempo, essas peças foram vistas apenas como acabamento arquitetônico. Instaladas no topo das escadas, marcavam o gesto final de uma casa concluída. Mas este livro propõe um novo olhar. Ao reunir centenas de pinhas de vidro e cristal, a obra revela o que antes passava despercebido: a complexidade das técnicas, a riqueza dos padrões e a força escultórica de cada peça. Aqui, o vidro deixa de ser detalhe e se torna protagonista. São exploradas diferentes tradições do vidro artístico, incluindo referências ao cristal lapidado, vidro soprado e influências do vidro de Murano, onde técnica e sensibilidade caminham juntas. As fotografias, realizadas por Harald Gottschalk e também por Flávia Abubakir, foram captadas entre Portugal e Brasil, destacando textura, luz e forma ...

Kintsugi em pinhas de cristal: a técnica do ouro nas pinhas antigas

O Kintsugi é uma técnica japonesa de reparo em cerâmica, onde peças quebradas são restauradas com ouro, tornando as fissuras visíveis. Recentemente, decidi aplicar esse princípio às pinhas. Não para esconder o tempo, mas para revelá-lo. As marcas permanecem. Mas agora ganham outra leitura. Entre continuidade e reconstrução, a peça deixa de ser apenas forma e passa a carregar história. No encontro entre pinha antiga e kintsugi, a beleza não está na perfeição, mas naquilo que resiste, se transforma e permanece.

Pinha de cristal: lapidação e desenho nas pinhas antigas (boules d’escalier)

Os topos das pinhas ou  boules d’escalier em cristal revelam o trabalho de lapidação no cristal, onde desenho, luz e profundidade se encontram. Alguns topos formam estrelas. Outros se abrem como flores. No cristal lapidado, cortes precisos criam simetria, reflexo e repetição. No centro, tudo converge. É ali que o gesto do artesão se torna mais evidente. Cada detalhe em cristal captura a luz de forma única,transformando o topo em um ponto de intensidade. Não é apenas acabamento. É construção no cristal. É no topo que a peça se afirma. Parte da coleção apresentada no livro Boules d’Escalier, onde o cristal lapidado revela sua capacidade de forma, luz e precisão. Fotos: Harald Gottschalk