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Mostrando postagens de maio, 2026

Lapidação em pinhas de cristal antigas: as técnicas do século XIX

 Uma das coisas que mais surpreende quem começa a estudar as pinhas de cristal antigas é a variedade de lapidações. Não existe uma pinha igual à outra. Cada corte, cada textura, cada padrão é o resultado de uma técnica específica desenvolvida pelas cristaleiras europeias ao longo do século XIX. O que é lapidação? Lapidação é o processo de cortar e polir o cristal para criar padrões decorativos na superfície. Diferente da moldagem — onde a forma é criada no momento em que o cristal ainda está quente e fluido — a lapidação é feita depois, quando o cristal já está frio e sólido, com ferramentas de corte. O resultado é uma superfície que multiplica a luz em todas as direções. Cada faceta, cada pontilhado, cada medalhão é um espelho em miniatura que transforma a pinha num objeto vivo. As principais lapidações do catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, as lapidações aparecem classificadas com nomes precisos: Taillée à Pontils — pontilhados. Pequenos ...

Revista Cidade Jardim: Beleza PURA

  Maior do mundo, a coleção de Maior do mundo, a coleção de boules d’escalier dos brasileiros Flávia e Frank Abubakir ganha uma luxuosa publicação editada pela Assouline  POR SERGIO AMARAL  a As boules d’escalier estão para o design de interiores assim como as joias estão para a moda. Objeto de fascínio que ganhou destaque entre a burguesia francesa no século XIX, este ornamento de escadas conferia um ar palaciano, nobre e solene às propriedades por eles ocupadas. Os brasileiros Flávia e Frank Abubakir são donos não apenas de vários exemplares, mas da maior coleção de boules d’escalier do mundo. São mais de 800 peças distribuídas pelas residências do casal, em Salvador, Cascais e Crans-Montana, e que agora podem ser apreciadas por todos por meio do livro Boules d’Escalier, editado pela Assouline. São 280 páginas, quase três quilos e 180 imagens, com muitas das peças garimpadas por antiquários e reunidas pelo casal desde 2000. “Para o livro, a gente tentou escolher as mais...

Pinha antiga esfera: a forma mais clássica das boules d’escalier do século XIX

De todas as formas que as pinhas de cristal antigas, também chamadas de boules d’escalier, assumiram ao longo do século XIX, a esfera é a mais clássica e a mais universal. Uma forma perfeita que existe desde a antiguidade e que nas mãos dos artesãos europeus ganhou uma dimensão nova: a leveza e a profundidade do cristal. A forma mais antiga das pinhas de cristal A esfera é a forma geométrica mais simples e ao mesmo tempo mais fascinante. Sem começo e sem fim. Sem ângulos. Uma superfície contínua que capta a luz de todos os ângulos e a distribui de forma diferente a cada movimento. Nas pinhas de cristal antigas, a esfera aparece em várias versões: lisa, lapidada em facetas, em favo de mel, em pontilhados ou em caneluras. Cada técnica de lapidação transforma a mesma forma num objeto completamente diferente. No catálogo original do século XIX No catálogo original de boules d’escalier do século XIX que encontrei em leilão, as esferas aparecem classificadas em duas categorias principais: Cr...

As formas das boules d’escalier: um guia completo das pinhas antigas do século XIX

Quando a maioria das pessoas pensa numa pinha antiga, imagina uma forma cônica com escamas. Mas as boules d’escalier do século XIX eram muito mais variadas do que isso. O catálogo original que encontrei em leilão revela um universo de formas, técnicas e materiais que surpreende até os colecionadores mais experientes. As formas principais Esfera — a forma mais clássica e mais comum. Lisa, lapidada em facetas, em favo de mel ou em pontilhados. Uma esfera perfeita que capta e reflete a luz de todos os ângulos. Oval — uma variação alongada da esfera, mais elegante e menos comum. Aparece no catálogo original em várias técnicas de lapidação. Pinha cônica — a forma que deu nome popular ao objeto no Brasil. Cônica, com escamas que imitam o fruto do pinheiro. Era produzida por manufaturas francesas, boêmias, belgas e alemãs. Ovo — uma forma orgânica e delicada, que aparece no catálogo em versões lisas, lapidadas e em porcelana decorada. Alcachofra — uma forma inspirada no vegetal, com pétalas s...

Pinhas de cristal púrpura: o violeta e o lilás nas boules d’escalier do século XIX

A púrpura é uma das cores mais raras e elegantes do cristal francês do século XIX. Uma tonalidade entre o roxo e o vinho que aparece em poucas coleções no mundo. A fórmula do púrpura e do violeta Nas cristaleiras francesas do século XIX, entre elas a Saint Louis, o púrpura e o violeta eram obtidos por fórmulas distintas: Púrpura — obtido pelo óxido de níquel combinado com potassa. Elegante e raro. Violeta — obtido pelo bióxido de manganês. Uma tonalidade mais azulada, próxima do lilás. Existe também a opalina lilás, um cristal leitoso e translúcido nessa tonalidade, que combina a delicadeza do opaline com a profundidade do violeta. Uma das variações mais raras e belas da família. No catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, o púrpura e o violeta aparecem em combinação com as técnicas mais sofisticadas de lapidação. Pinhas ovais, esféricas, com lapidação em diamantes, pontilhados e facetas, todas disponíveis nessa tonalidade. Na nossa coleção Temos pi...

Pinhas de cristal branco: a opalina e o leite nas boules d’escalier do século XIX

O branco é uma das cores mais refinadas nas pinhas antigas. Numa coleção dominada por azuis, vermelhos e verdes intensos, uma pinha branca tem uma presença discreta e ao mesmo tempo sofisticada. A fórmula do branco Nas cristaleiras francesas do século XIX, o branco era obtido pelo óxido de estanho. Uma fórmula que transformava o cristal transparente num material leitoso, denso e luminoso,  a famosa opalina francesa  A opalina não é simplesmente branca. É um branco que guarda luz dentro de si. Quando iluminado por trás, revela tons rosados, amarelados ou azulados,  uma característica única que os colecionadores chamam de “fogo da opalina”. O branco no catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, o branco aparece em variedades específicas como a Porcelaine Unie e a Porcelaine Blanche decorée,  pinhas em porcelana branca, lisas ou decoradas com flores, filetes e motivos figurativos. Uma linha inteira dedicada ao branco, para os interiore...

Pinhas de cristal rosa: a cor feita de ouro nas boules d’escalier do século XIX

  O rosa é uma das cores mais delicadas das pinhas antigas. Diferente do azul cobalto ou do verde, o rosa não aparece nas fórmulas documentadas das cristaleiras francesas,  o que torna cada pinha rosa ainda mais misteriosa e singular. O rosa no catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, o rosa aparece em variedades muito específicas: Doublée Email Rose — cristal duplo com esmalte rosa, uma das técnicas mais delicadas do catálogo. Pâte de Riz Doublée Rose — combinação da técnica pâte de riz com o rosa, criando um efeito leitoso e luminoso ao mesmo tempo. Cada nome é uma técnica. Cada técnica é uma história. Na nossa coleção Temos pinhas rosa em várias tonalidades e lapidações. Uma cor que combina com tudo e que na coleção convive perfeitamente com o azul, o verde e o branco. 📖 Disponível em  boulesdescalier.com Compre via whatsapp  (+5511974294423) Edição limitada publicada em colaboração com Assouline. R$ 1.900  em até 12x sem...

Pinhas de cristal amarelo e dourado: o ouro líquido nas boules d’escalier do século XIX

O amarelo e o dourado são as cores mais luminosas das pinhas antigas. Uma família de tonalidades que vai do amarelo mais claro e translúcido até o âmbar profundo e quente como ouro líquido guardado em cristal. A fórmula do amarelo e do dourado Nas cristaleiras francesas do século XIX, entre elas a Saint Louis, o amarelo era obtido pelo óxido de prata. Uma fórmula que produzia desde o amarelo mais claro e luminoso até o âmbar dourado mais intenso. A mesma fórmula, concentrações diferentes, resultados distintos. O laranja, tonalidade vizinha, era obtido pelo antimoniato de chumbo combinado com sulfeto de cádmio, uma cor mais quente e vibrante que completa essa família solar. No catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, as pinhas amarelas e douradas aparecem em variedades como a Diamantée à Perles Vénitiennes, lapidação em pérolas venecianas que cria um efeito de favo de mel sobre o cristal âmbar. Uma das combinações mais sofisticadas do catálogo. Na no...

Pinhas de cristal verde: as variações do verde nas boules d’escalier do século XIX

 O verde é uma das cores mais complexas e fascinantes do cristal francês do século XIX. Ao contrário do azul cobalto, que tinha uma fórmula relativamente direta, o verde podia ser obtido de várias formas diferentes e cada fórmula produzia uma tonalidade distinta. As fórmulas do verde Nas cristaleiras francesas do século XIX, entre elas a Saint Louis, o verde era produzido por diferentes óxidos metálicos, cada um gerando uma tonalidade própria: Vert — obtido pelo uranato de amônio, ácido crômico, óxido de tálio ou sal de didímio. Do verde-esmeralda ao verde-floresta. Vert bleu — um verde com toque azulado, obtido pelo óxido cuproso. Vert clair — o verde claro, obtido pelo uranato de amônio. Três verdes diferentes. Três fórmulas diferentes. Três personalidades diferentes. O verde no catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, o verde aparece ao lado do azul e do vermelho como uma das três cores principais oferecidas em quase todas as variedades de pi...

Pinha de cristal azul: o azul cobalto e suas variações nas boules d’escalier do século XIX

O azul cobalto é uma das cores mais antigas e mais fascinantes da história do cristal. Antes de existir qualquer indústria química moderna, os artesãos europeus já sabiam como produzi-lo com precisão extraordinária. Como o azul era feito Nas cristaleiras francesas do século XIX, entre elas a Saint Louis, cada cor era preparada pelos próprios artesãos, segundo fórmulas guardadas por cada cristaleria. O azul era obtido pelo óxido de cobalto combinado com anidride molíbdica. O resultado é um azul de profundidade e intensidade que não envelhece. Mas o azul não era uma cor só. Era uma família inteira: Bleu — o azul cobalto clássico, profundo e intenso. Vert bleu — um azul com toque esverdeado, mais raro. Bleu céleste — o azul celeste, mais claro e luminoso. Violet — com tendência para o azul violeta, obtido pelo bióxido de manganês. O azul no catálogo original No catálogo original do século XIX que encontrei em leilão, o azul aparece como uma das três cores principais oferecidas em quase to...

Pinha de cristal vermelha: as variedades do cristal rubi nas boules d’escalier do século XIX

Há cores que param. O vermelho é uma delas. Quando uma pinha vermelha entra numa sala, ela domina. Não precisa competir. A intensidade do cristal vermelho tem uma presença que poucos objetos decorativos conseguem ter. A fórmula do rubi O vermelho rubi no cristal do século XIX era obtido pelo cloreto de ouro combinado com a púrpura de Cassius. Sim, ouro verdadeiro. Essa era a fórmula que a manufatura Saint Louis dominava. É essa combinação que dá ao cristal rubi aquela profundidade e intensidade única. As variedades do catálogo original Um dos tesouros da nossa pesquisa é um catálogo original do século XIX que encontrei em leilão. Nele, as pinhas vermelhas aparecem classificadas por técnica de lapidação. São nomes que revelam o nível de sofisticação da manufatura francesa da época: Diamantée à Perles Vénitienne -  lapidação em pérolas venecianas que cria um efeito de favo de mel sobre o cristal.  Doublée Taillée à Filets — lapidação em filetes finos sobre cristal duplo. Do...

As cores que a manufatura Saint Louis produzia nas pinhas de cristal

Existe uma pergunta que me fazem com frequência: o que torna uma boule d’escalier verdadeiramente especial? A resposta, muitas vezes, está na cor. Não é qualquer cor. É uma cor que vive dentro do cristal, protegida, luminosa. Uma cor que muda a cada movimento, a cada variação da luz. Quando a cor é bonita, tudo o mais passa para segundo plano. A manufatura Saint Louis foi uma das grandes produtoras de boules d’escalier na França do século XIX. E as cores que ela dominava eram extraordinárias. Conhecemos essas cores pela pesquisa e pelos catálogos antigos,  não pelas peças em si, que raramente trazem assinatura ou marca da manufatura. Como as cores eram feitas Para obter um cristal colorido, os artesãos adicionavam óxidos metálicos à composição do cristal fundido. Cada cristaleria guardava suas próprias fórmulas, transmitidas de geração em geração. A cor era preparada sob a forma de pequenas varetas que depois eram trabalhadas, cortadas e englobadas no cristal transparente da boule....

A Rosa da Cristaleira Clichy — A Assinatura Invisível da Manufatura Mais Singular do Cristal Francês

  A Rose de Clichy: a assinatura que nunca precisou de ser gravada Existem objectos que guardam séculos dentro de si. As pinhas de cristal que coroavam as escadarias das grandes residências oitocentistas são um desses casos. Pequenas na dimensão, imensuráveis na técnica. Entre as três grandes manufaturas que as produziram, Baccarat, Saint-Louis e Clichy, é a Cristallerie de Clichy que ocupa um lugar singular no coração dos coleccionadores. E o motivo tem nome : A Rosa de Clichy. Uma manufacture que nunca assinou as suas peças e não precisou Fundada em 1842 nos arredores de Paris, a Clichy encerrou em 1896. Cinquenta anos de actividade, cristal boráxico mais leve e luminoso que o tradicional, e uma paleta de cores de vivacidade excepcional. Nunca assinou nem datou as suas boules. Mas deixou algo mais duradouro: a sua rosa. A  Rosa de Clichy  é considerada o  cane  mais famoso de toda a história do cristal. Um  cane  é um bastão de vidro q...

Pinha de cristal de época: o que significa colecionar uma pinha de escada do século XIX

Existe algo que só uma pinha antiga tem. Não é o brilho. Não é a cor. É a autenticidade. Uma pinha antiga carrega a alma de uma época. Cada detalhe, cada textura, cada variação de cor são a assinatura invisível do artesão que a fez. Uma mão humana, um forno, um momento único que não se repete. É isso que me faz colecionar há 26 anos. O que define uma pinha antiga Quando falo em pinha antiga, estou falando de um período específico: pinhas de escada produzidas até 1920. Um recorte de tempo que vai do auge da manufatura europeia de cristal até o seu ocaso. Quase um século de produção artesanal que deixou para trás peças únicas e irrepetíveis. O período mais fascinante Entre 1845 e 1920, a Europa viveu o auge e o fim de uma tradição artesanal única. As grandes manufaturas francesas competiam pela excelência. As técnicas se sofisticaram, as cores se multiplicaram, as formas se tornaram mais ousadas. E então parou. As escadas modernas não têm mais lugar para as pinhas. A tradição foi abandon...

Boules d’Escalier: a história da coleção que começou com uma caixa do interior da França

Tudo começou com uma caixa. Frank e eu compramos setenta boules às cegas, pelo telefone, numa ligação entre o Rio de Janeiro e uma cidadezinha no interior da França. Um casal idoso se desfazia da coleção e pedia pagamento antecipado. Ninguém quis arriscar. Nós arriscamos. Quando a caixa chegou e começamos a abrir, foi uma surpresa atrás da outra. Uma a uma, as boules foram aparecendo: cores, formatos, texturas. Cada peça diferente da outra. Naquele momento entendemos que tínhamos feito a escolha certa. O que aprendemos com a família O gosto pelas pinhas não surgiu do nada. Na família do meu marido, esse olhar já existia antes de nós. Foi com eles que aprendemos a gostar, a enxergar a beleza nesses objetos. Uma sensibilidade passada de geração em geração. Peças de época, de alma Quando falo em peças de época, estou falando de pinhas fabricadas num período específico da história, entre meados do século XIX e início do século XX. Elas têm alma porque carregam o tempo em que foram feitas, ...

Boules d’Escalier: os bastidores do livro que fiz com a Assouline

Muita gente me pergunta como surgiu a ideia do livro. A resposta tem dois momentos que nunca vou esquecer. O primeiro foi no Hotel du Cap, em Antibes. Folheando um livro da Assouline, me deparei com uma foto de um espaguete ao molho de tomate. Simples assim. Mas a foto era tão linda, tão bem feita, que pensei imediatamente: imagina a minha pinha aqui. Naquele momento, a ideia nasceu. O segundo foi quando Frank recebeu de presente o Italian Chic, da Assouline, de Guilherme, nosso vendedor da Van Cleef. Segurei aquela capa tão marcante e bonita e tive a certeza: era exatamente isso que eu queria para as pinhas. Como escolhemos as peças Temos mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. Selecionar o que entraria no livro foi um processo feito em parceria com o fotógrafo Harald Gottschalk. E foi nesse processo que aconteceu algo que eu não esperava. O momento mais especial Todo o processo de fazer o livro foi muito especial. Porque os fotógrafos foram descobrindo...

Boules d’Escalier: o que o livro revela sobre pinhas de escada antigas

Quando as pessoas me perguntam do que trata o livro, fico um pouco em dúvida Poderia dizer que é um livro de fotografia. Ou de história da arte. Ou de design decorativo. Mas a verdade é que é tudo isso ao mesmo tempo, além de outras camadas que só ficaram claras para mim depois que o livro ficou pronto. Olhar novamente para o que foi esquecido As boules d’escalier habitaram os melhores interiores europeus por mais de um século, e a história do design raramente dedicou atenção a essas peças. Quando comecei a coleção, mal conseguia encontrar referências sobre elas. Havia algo de injusto nisso. O livro é, em parte, um convite a olhar novamente para o que esteve ali o tempo todo, quase esquecido. Contar a transição do Art Nouveau para o Art Déco por objetos cotidianos As peças da nossa coleção vêm do final do século XIX e do início do XX, exatamente o momento em que a Europa deixava as formas orgânicas e florais do Nouveau para abraçar a geometria do Déco. Essa transformação estética se to...

Instituto Flávia Abubakir: o propósito por trás do livro Boules d’Escalier

Quando as pessoas descobrem que 100% da receita do livro vai para o Instituto, a pergunta que mais ouço é: o que é o Instituto Flávia Abubakir? Frank e eu criamos o Instituto Sociocultural Flávia Abubakir em 2021. É uma entidade privada sem fins lucrativos, com sede em Salvador, dedicada a duas áreas de atuação: o suporte a projetos sociais, educacionais, de saúde e culturais, e a preservação de um acervo histórico e artístico único. Um acervo de valor histórico e global A Coleção Flávia e Frank Abubakir reúne itens produzidos desde o período colonial até o século XXI. Uma coleção de natureza global desde a origem, com registros documentais e iconográficos singulares de várias partes do mundo sobre o Brasil e a Bahia em particular. Dois núcleos se destacam. O núcleo Iconográfico, com especial atenção à Iconografia Baiana, reúne itens de grande valor histórico e artístico sobre o repertório iconográfico do Brasil e da Bahia. Já o núcleo Conexões Ultramarinas engloba obras impressas e ic...

Boules d’Escalier: o que você vai encontrar nas 280 páginas do livro

O que você vai encontrar nas 280 páginas do livro Quando comecei a pensar na estrutura do livro, sabia que não queria um catálogo frio. Queria que quem folheasse sentisse o que Frank e eu sentimos cada vez que olhamos para a coleção. O que são as boules d’escalier? O livro abre com uma apresentação desses elementos decorativos, pinhas de cristal e vidro instaladas no topo dos corrimões de escadas como o toque final que simbolizava a casa concluída. Uma tradição que quase desapareceu da memória coletiva, e que me fascina desde que vi a primeira peça. Mais de 800 peças, mais de 20 anos de busca Frank e eu começamos  a nossa coleção em 2000 e nunca mais paramos. São hoje mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. O livro apresenta centenas delas fotografadas por Harald Gottschalk com uma precisão e uma sensibilidade que ainda me surpreendem. Do Art Nouveau ao Art Déco As peças que colecionamos pertencem ao final do século XIX e início do XX, a transição en...

Boules d’Escalier: o livro que editei com a Assouline

  O livro que nasceu de uma paixão de mais de 20 anos Há uma pergunta que ouço com frequência quando as pessoas visitam nossa casa e se deparam com a coleção pela primeira vez: "Mas o que é isso?" E eu adoro esse momento porque é exatamente onde tudo começa. As boules d'escalier (ou pinhas) são as esferas de cristal e vidro que ficam no topo dos corrimões das escadarias europeias. O toque final de uma casa concluída. Objetos que atravessaram séculos praticamente invisíveis, sem que ninguém parasse para perguntar de onde vieram, quem os fez ou o que carregam. Frank e eu começamos a colecionar em 2000 e nunca mais paramos. Como o livro nasceu Quando a Assouline topou publicar o projeto, eu sabia que precisávamos de um fotógrafo à altura das peças. Harald Gottschalk, francês, com mais de 60 exposições individuais e coletivas, entendeu exatamente o que eu queria: não documentar, mas revelar. Cada esfera fotografada como se fosse um planeta em miniatura. Luz, cor e transparênc...

Pinha de cristal antiga: como saber se a pinha antiga é original ou reprodução?

Você sabe como identificar se uma pinha antiga é original ou reprodução? À primeira vista, podem parecer iguais. Mas o tempo deixa sinais. Nas pinhas antigas, o acabamento raramente é perfeito. Há pequenas variações. Irregularidades quase imperceptíveis. O desgaste também fala. Base, encaixe, bordas. O uso deixa marcas que não se repetem de forma artificial. No vidro ou no cristal, a profundidade da luz muda. Peças antigas respondem de forma mais complexa. Nada é plano. Já nas reproduções, tudo tende a ser uniforme. Simétrico demais. Limpo demais. A precisão excessiva pode enganar. Mas também revela. Nas pinhas de escada, conhecidas como boules d’escalier, esses detalhes fazem toda a diferença. Originalidade não está em um único elemento. Está no conjunto. É o olhar que aprende a reconhecer. Você saberia distinguir uma peça original? Pinha de cristal Antiga  A luz tem profundidade. Os cortes apresentam variações. Nada é completamente uniforme. Pinha nova (reprodução) Aqui, o padrão...