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Boules d’Escalier: os bastidores do livro que fiz com a Assouline

Muita gente me pergunta como surgiu a ideia do livro. A resposta tem dois momentos que nunca vou esquecer. O primeiro foi no Hotel du Cap, em Antibes. Folheando um livro da Assouline, me deparei com uma foto de um espaguete ao molho de tomate. Simples assim. Mas a foto era tão linda, tão bem feita, que pensei imediatamente: imagina a minha pinha aqui. Naquele momento, a ideia nasceu. O segundo foi quando Frank recebeu de presente o Italian Chic, da Assouline, de Guilherme, nosso vendedor da Van Cleef. Segurei aquela capa tão marcante e bonita e tive a certeza: era exatamente isso que eu queria para as pinhas. Como escolhemos as peças Temos mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. Selecionar o que entraria no livro foi um processo feito em parceria com o fotógrafo Harald Gottschalk. E foi nesse processo que aconteceu algo que eu não esperava. O momento mais especial Todo o processo de fazer o livro foi muito especial. Porque os fotógrafos foram descobrindo...
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Boules d’Escalier: quatro coisas que quis dizer com este livro

Quando as pessoas me perguntam do que trata o livro, fico um pouco em dúvida Poderia dizer que é um livro de fotografia. Ou de história da arte. Ou de design decorativo. Mas a verdade é que é tudo isso ao mesmo tempo, além de outras camadas que só ficaram claras para mim depois que o livro ficou pronto. Olhar novamente para o que foi esquecido As boules d’escalier habitaram os melhores interiores europeus por mais de um século, e a história do design raramente dedicou atenção a essas peças. Quando comecei a coleção, mal conseguia encontrar referências sobre elas. Havia algo de injusto nisso. O livro é, em parte, um convite a olhar novamente para o que esteve ali o tempo todo, quase esquecido. Contar a transição do Art Nouveau para o Art Déco por objetos cotidianos As peças da nossa coleção vêm do final do século XIX e do início do XX, exatamente o momento em que a Europa deixava as formas orgânicas e florais do Nouveau para abraçar a geometria do Déco. Essa transformação estética se to...

Instituto Flávia Abubakir: o propósito por trás do livro Boules d’Escalier

Quando as pessoas descobrem que 100% da receita do livro vai para o Instituto, a pergunta que mais ouço é: o que é o Instituto Flávia Abubakir? Frank e eu criamos o Instituto Sociocultural Flávia Abubakir em 2021. É uma entidade privada sem fins lucrativos, com sede em Salvador, dedicada a duas áreas de atuação: o suporte a projetos sociais, educacionais, de saúde e culturais, e a preservação de um acervo histórico e artístico único. Um acervo de valor histórico e global A Coleção Flávia e Frank Abubakir reúne itens produzidos desde o período colonial até o século XXI. Uma coleção de natureza global desde a origem, com registros documentais e iconográficos singulares de várias partes do mundo sobre o Brasil e a Bahia em particular. Dois núcleos se destacam. O núcleo Iconográfico, com especial atenção à Iconografia Baiana, reúne itens de grande valor histórico e artístico sobre o repertório iconográfico do Brasil e da Bahia. Já o núcleo Conexões Ultramarinas engloba obras impressas e ic...

Boules d’Escalier: o que você vai encontrar nas 280 páginas do livro

O que você vai encontrar nas 280 páginas do livro Quando comecei a pensar na estrutura do livro, sabia que não queria um catálogo frio. Queria que quem folheasse sentisse o que Frank e eu sentimos cada vez que olhamos para a coleção. O que são as boules d’escalier? O livro abre com uma apresentação desses elementos decorativos, esferas de cristal e vidro instaladas no topo dos corrimões de escadas como o toque final que simbolizava a casa concluída. Uma tradição que quase desapareceu da memória coletiva, e que me fascina desde que vi a primeira peça. Mais de 800 peças, mais de 20 anos de busca Frank e eu começamos  a nossa coleção em 2000 e nunca mais paramos. São hoje mais de 800 peças distribuídas entre Salvador, Cascais e Crans-Montana. O livro apresenta centenas delas fotografadas por Harald Gottschalk com uma precisão e uma sensibilidade que ainda me surpreendem. Do Art Nouveau ao Art Déco As peças que colecionamos pertencem ao final do século XIX e início do XX, a transição e...

Boules d’Escalier: o livro que editei com a Assouline

  O livro que nasceu de uma paixão de mais de 20 anos Há uma pergunta que ouço com frequência quando as pessoas visitam nossa casa e se deparam com a coleção pela primeira vez: "Mas o que é isso?" E eu adoro esse momento porque é exatamente onde tudo começa. As boules d'escalier (ou pinhas) são as esferas de cristal e vidro que ficam no topo dos corrimões das escadarias europeias. O toque final de uma casa concluída. Objetos que atravessaram séculos praticamente invisíveis, sem que ninguém parasse para perguntar de onde vieram, quem os fez ou o que carregam. Frank e eu começamos a colecionar em 2000 e nunca mais paramos. Como o livro nasceu Quando a Assouline topou publicar o projeto, eu sabia que precisávamos de um fotógrafo à altura das peças. Harald Gottschalk, francês, com mais de 60 exposições individuais e coletivas, entendeu exatamente o que eu queria: não documentar, mas revelar. Cada esfera fotografada como se fosse um planeta em miniatura. Luz, cor e transparênc...

Pinha antiga: como saber se é original ou reprodução?

Você sabe como identificar se uma pinha antiga é original ou reprodução? À primeira vista, podem parecer iguais. Mas o tempo deixa sinais. Nas pinhas antigas, o acabamento raramente é perfeito. Há pequenas variações. Irregularidades quase imperceptíveis. O desgaste também fala. Base, encaixe, bordas. O uso deixa marcas que não se repetem de forma artificial. No vidro ou no cristal, a profundidade da luz muda. Peças antigas respondem de forma mais complexa. Nada é plano. Já nas reproduções, tudo tende a ser uniforme. Simétrico demais. Limpo demais. A precisão excessiva pode enganar. Mas também revela. Nas pinhas de escada, conhecidas como boules d’escalier, esses detalhes fazem toda a diferença. Originalidade não está em um único elemento. Está no conjunto. É o olhar que aprende a reconhecer. Você saberia distinguir uma peça original? Pinha de cristal Antiga  A luz tem profundidade. Os cortes apresentam variações. Nada é completamente uniforme. Pinha nova (reprodução) Aqui, o padrão...