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REVISTA ELA/O Globo: Maiores colecionadores de ‘boules d’escalier’ do mundo, Flávia e Frank Abubakir reúnem acervo em livro

 



Na cobertura de um dos prédios mais altos da orla de Salvador, com vista panorâmica para a Baía de Todos os Santos, a residência de Flávia e Frank Abubakir em território soteropolitano abriga uma fascinante coleção de bolas de cristal — produzidas no século XIX e nas décadas de 1910 e 1920. Azuis, verdes, vermelhas, prateadas, douradas, todas são agrupadas por cores, em mesas espalhadas pela sala. No total, a coleção é composta por 900 itens, divididos ainda pelas casas da família em Cascais, Portugal, e Crans-Montana, na Suíça. Agora, as peças mais emblemáticas do acervo estão no livro “Boules d’Escalier: The Flávia & Frank Abubakir Collection” (Assouline), com lançamento no dia 7 e já à venda no www.boulesdescalier.com, por R$ 1.900 e 100% da renda destinados a projetos sociais e culturais da Bahia.

Jornalista e colunista da ELA, Bruno Astuto assina um texto histórico sobre o uso dos ornamentos em formato de pinha criados para arrematar escadarias. “Na coleção de Flávia e Frank, a boule d’escalier é muito mais que objeto decorativo. Preservadas com alma, elas seguem cumprindo sua vocação original: multiplicar a luz e despertar o olhar”, afirma Bruno.


A coleção teve início em 2000, ano do casamento de Flávia e Frank. Seguindo uma dica de amigos marchands, eles ficaram sabendo de um acervo escondido no interior da França. Eram 70 peças de propriedade de um casal francês — que falava pouco ou quase nada de inglês. Após negociação pelo telefone fixo, Flávia e Frank resolveram arriscar e pagaram pelo lote às cegas. “Foram dois meses de espera. Mas, quando a caixa chegou, a surpresa: cada boule era mais fascinante que a outra”, lembra Flávia. “Foi nesse momento que a ideia de uma coleção se consolidou, a partir dessa caixa mágica e das peças herdadas da família”, completa Frank, neto de Maria Cecília e Paulo Geyer, responsáveis pela coleção e doação da Casa Geyer ao Museu Imperial de Petrópolis.


Entre aventuras e algumas furadas, os brasileiros se tornaram os maiores colecionadores do mundo. Nos garimpos, contam com a expertise do antiquário carioca Cícero Amaral. “Em fevereiro 2016, num dia frio, numa grande feira de antiguidades apenas para profissionais, encontramos embaixo da mesa de um expositor boules do século XIX em opalina. Mais de 40 relíquias! Os franceses dão um nome a isso: trouvaille! Verdadeiro baú do tesouro”, conta Cícero.


Reportagem de  Joana Dale

29/03/2026

Para assinantes do Globo: aqui



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